sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Te falo em essência...

Incontestáveis olhos de menina.
Me fazem crer no melhor em mim.

Almejo essa tua capacidade de enxergar.
Sabes tudo aquilo que transparece aos teus olhos.
Unicamente.

Incontroláveis esses teus olhos.
São curiosos e me olham sem medo.
Tola sou eu ao subestimá-los.

Inalcansáveis são os meus, os meus olhos...
Não te deixam olhar. Te inibem!

Faz parte da vida.
E um dia entenderás.

Certos olhos só querem os impossíveis.
Isso vale para os meus também.

Perdão por não permiti-los.
Não me cabem por hora...
Unicamente e só.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Em Mi maior

A música que me toca
por suas mãos
numa corda de violão
que soa a nota mais grave
numa escala de pausa para quem...

(respira)

É o mais acelerado dos compassos
que pulsam no meu peito de viola nua,
sem cordas, nem mãos,
só notas sem som.

Diz para mim em melodia
a poesia dos teus lábios
que me afogam em pensamento.

Afina meu desejo destoado,
inconstante até em tom.
Apaixonado pelo teu som.

domingo, 30 de maio de 2010

Ponto.

De você não sei mais nada.
Fui te perdendo como estrela que não brilha...
Coisa tua! Que mal sabes...
a estrada que ora trilhas.

O que era nosso nem era tanto.
E tanto beijo a tua boca me queimava!
Coisa minha, de quem espera...
naquela vida que me agradava.

Dito isto, por uma vez e ponto!
Que fique claro que não falo de amor!
O que me fascina não me preenche
e se preenche é pura dor.

Nos meus passos não há mais espaço,
para o que de agrado era na verdade a ti.
Há nada além do que a sede de ser...
parte toda, não metade de mim.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Nostalgia

A madrugada me remete sempre a mesma sensação. Estou com sede de beber a vida, a vida, a longos tragos, como de um divino vinho de Falerno. Absorver cada gotícula dessa minha passagem na estrada de Damasco, o meu caminho. Reviver cada instante que aderiu ao meu corpo de vinho forte e me fez ser mais que a sombra de uma sombra, por entre tanta sombra igual a mim! Quero voltar!
Estou saudosa em sentir os infinitos grãos de areia sob meus pés numa caminhada que percorria Leblon e Arpoador (isto pelo mais ingênuo prazer de fazer aquele trajeto, não que eu ainda não o faça, ou venha fazê-lo novamente, mas não é mais parte de uma rotina diária tão severamente cumprida). Estou com saudades das festinhas em Santa Teresa na casa de Dani, saudades daquelas noites viradas, das risadas em torno de um narguilé, arrisco dizer até que sinto saudade das ressacas do vinho degustado naquele terraço. Sinto falta das empadas do Antônio's na Lapa, das Quartas-feiras no Galeria Café em Ipanema e das batucadas de pandeiro. Sinto falta das Sextas-feiras pós Outback com a Marcele, nosso lugar cativo nas areias do Leblon, um cigarro de menta e uma Aquarius Fresh de limão. Sinto falta das Segundas-feiras com a Carol, das nossas conversas e afagos na orla de São Conrado, da nossa cumplicidade desmedida. Saudades de comer no japonês com a Luiza, saudades das garrafas de saquê num sushi aqui na Barra da Tijuca, saudades da linda vista do Kotobuki e até mesmo dos diversos "Konis" espalhados nos aredores de Botafogo. Saudades loucas da macarronada da Naira e de beber, digo...BEBER na casa da Isabella. Sinto muita falta das loucuras minha e de Brígida pelo Rio de Janeiro, dos ingressos de shows colados na agenda, de não medir gastos quando o assunto era música, música brasileira. Saudades de Moska, Chico César, Lenine, Dois quartos, Samba Meu e Canecão. Estou com saudades do amor de menina, amor à primeira vista ou à primeira música ouvida. Saudades contínuas dos meus amores platônicos, dos que se perderam e dos que ainda vivem em mim.
Oh! Que saudades que tenho da aurora da minha vida...

"A estrada de Damasco, o meu caminho,
O meu bordão de estrelas de ceguinho,
Água da fonte de que estou sedenta!"

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

(revira)voltas

corriqueiras são as reviravoltas,
que vêm correndo e voltando à tona, revirando o coração.
sem demora revigoram o ego e volatilizam qualquer senão...
daquele tempo bom, que agora,
revira e volta.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

"Na próxima semana"

Vou te convidar para um vinho, naquele lugar que tanto gosto de falar e te incitar a conhecer. Como sempre você irá pedir para que eu faça a escolha. Na verdade é assim para tudo, você que sempre pede para que eu decida aonde vamos, ou o que comemos. Não sei porque pedes se sempre faço a tua vontade. Entetanto, se trantando da escolha da garrafa, pareço fazer questão. Gosto de te impressionar com meu conhecimento -deveras limitado- sobre enogastronomia. Porém, que me faz sentir por um momento, à sua altura.
Irei optar pelo Gran Malbec, corpo perfeito, um vinho untoso com bom equilíbrio de taninos e um longo final à boca. Vou te sugerir também que acompanhe uma carne vermelha. Você dirá que é perfeito e sorrirá para mim. Talvez não seja a primera vez que te convido para tal plano, aliás costumamos nos convidar às vezes não é? E também como de costume damos risadas, risadas longas, risadas de canto de boca também. Já te falei o quanto gosto do teu sorriso?
Enfim, é que dessa vez será diferente. Vou te convidar só para contar! Creio que desconfies, pois te confundo bastante. Gosto de dialogar sobre minhas aventuras e meus amores platônicos, que você jura se interessar. Dessa vez quero contar-te sobre você. Vou falar desses teus olhos de única clara cor, desse teu cheiro, que parece aderir à minha pele, cada vez que toca a sua. E esperarei somente o esboçar do teu sorriso para me declarar.
Então irei gritar para você a minha paixão, o meu tesão e meu amor. Que a tanto tempo gritei só para mim. Contudo, temo que não queiras ouvir meu grito e prefiras as risadas de sempre. E temo também que eu não queira gritar, já por temer o seu "não querer ouvir" de sempre.
Sabe... acho que também prefiro as risadas. Através delas posso ver seu sorriso.
Melhor eu não te convidar. Mas olha, não fiques triste. Vou esperar que me convides para mais risadas de canto de boca, sei que convidarás. Sei que gostas de rir comigo. Melhor assim. Convido você outro dia, então. Quem na próxima semana, não é?
Deixa que hoje eu grito sozinha.

terça-feira, 16 de junho de 2009

A questão é que...

...o errado é sempre tentador. É como estar lidando com um desafio, que de fato, você quer vencer. Para isso você estuda e conhece-o por totalidade. Tornando-o foco principal e também o maior dos pesos da balança. É difícil se dar conta e aceitar perder o desafio. Entretanto, quando acontece, o final já pode ser irrelevante.

domingo, 7 de junho de 2009

Desejo mudo

Sempre teve medo do silêncio. Quando fedelha, por imaturidade e/ou por instinto o tal do silêncio lhe remetia uma intensa sensação de solidão. Era constante. Bastava anoitecer e todos dormirem para o não-ruído se instalar. Era assim até que ela pegasse no sono. Surrurava, então, bem baixinho para sua mãe -" já tá dormindo?", a mãe no auge da sua inércia lhe respondia - "uhum". Aquilo já lhe servia de consolo.
Porém, com o passar dos anos o silêncio ganhou outro nome. Hoje pode ser chamado de vazio, e muitas vezes de tão vazio ganha título de abismo. Quando está triste, pode-se dizer que ela está em silêncio. Conseguindo somente esboçar gestos, pois as palavras ficam engasgadas. Prefere guarda-lás. Para ela, sossego nunca foi sinônimo silêncio. Este lhe gera, sim, um grande estado de inquietação. É seu momento preferido para remoer frustrações, sendo capaz de ficar horas (ela e o silêncio) confabulando todas aquelas... como deveria chamar??? Decepções!
Um certo dia, durante um surto-metafórico-criativo ela decidiu pensar no silêncio como um jardim. No qual dependia dela cultivar flores para preencher aquele vasto gramado vazio. Mas como ela saberia qual a semente ideal para vingar naquela terra? Decidiu por vez, cultivar rosas. Ela de fato considerava uma linda flor.
Não demorou muito para os primeiros botões aparecerem, elas estavam vingando rápido! Em menos de um mês o jardim já estava repleto de rosas vermelhas, que desabrocharam com um explendor sem igual! Ela resolveu pegar uma para enfeitar o cabelo, colheu a mais bonita de todas e colocou atrás da orelha. Contudo, sem que ela notasse, aquela rosa estava cheia de espinhos ao longo do caule, e estes vieram a ferir seu rosto. Confundindo o vermelho das pétalas com o sangue que escorrera da sua nuca.
Após o acontecido, ela mesma removeu aquela plantação de rosas vermelhas. Agora ela desejava somente flores sem espinhos! Então, por vez, providenciou uma plantação de jasmins brancos. Estes sem dúvida pareciam inofencivos.
Meses se passaram e nada de aparecerem aqueles lindos botões brancos. Foi uma longa espera, mas pode-se afirmar que valeu a pena. Que lindos eram aqueles jamins! Esbanjavam beleza!
Ela pegou uma daquelas dezenas de flores para sentir seu perfume. Um cheiro doce, muito forte e muito agradável. Pena que em alguns minutos, aquele perfume todo lhe gerou uma crise alérgica. E mais uma vez ela teve que se ver livre da plantação.
Depois de tanta frustração ela resolveu deixar de lado essa história de jardim. Entretanto, ela teve uma sábia decisão. Pois sem saber, ela deixou para a própria natureza a missão de escolher a melhor flor para crescer em seu jardim. Acredito até que a flor ideal já foi encontrada, porém, está alí, em silêncio, à espera do momento certo para vingar...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Se joga"

Resolvi me render
àquilo que eu não gostava
ou simplismente não tentava
me esforçar pra entender

Coisas rotineiras da vida
como um dia sem sol
ou a loucura das torcidas
por um time de futebol

Decidi ter outros olhos
ao analizar certas certezas
pois é mudando o foco
que enxergamos com clareza

Vou madrugada sem ter hora
gosto de arriscar sem ter porque
e só o que falta agora
é me render à você.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Estampou-se

E a simples presença já faz um estrago
daqueles grandes e visíveis em feições claras
pode durar minutos, horas, dias...
não mais que isso
eis que a tal racionalidade humana vence
e ela se arrepende e se desculpa
com os outros
afinal, ela não está só
é só confusão, é só por hoje
ou até a volta.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Signo de fogo

Quero dançar em meio aos incêndios
prestando atenção, apenas,
na precisão dos meus gestos
e na beleza das chamas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

destoando

queria aprender a tocar violão, queria viajar pelo mundo e queria entender caetano veloso, djavan, dostoiévski e a crise econômica mundial. sinceramente não compreendo porque a maioria das pessoas adoram futebol, curtem músicas sem letras e não vivem sem coca cola. não sei andar com nenhum tipo de salto alto, esqueço números facilmente, brinquei de boneca até os quinze anos e já fui nerd. acredito que o koni foi a maior invenção deste século. amores? também aposto nos platônicos. nunca consegui terminar de assitir titanic, nunca fui ao cristo redentor, nem nunca viajei pra disney. meu cartão-postal favorito é o dois irmãos. descobri que pessoas são raras e se perdem de você facilmente, descobri que mãe não é eterna e descobri que sofrer por amor não é só tema de novelas. devoro moska, me aconselho em lispector, elisa me serve de inspiração e agradeço muitas coisas à ana. respiro música, curo meu tédio com agatha christie e, não é que eu não goste de bundas, mas prefiro peitos.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sempre que desejo...

acabo pertencendo. (Moska)